Helipontos: Dimensões, Pavimentos, Áreas de Operação e Tudo o Que Você Precisa Saber para Homologar Segundo o RBAC 155 

O guia claro e direto para entender como funciona a homologação de helipontos 

Se você já tentou encontrar informações objetivas sobre como homologar um heliponto, provavelmente percebeu que tudo parece muito técnico e pouco acessível. Termos como TLOFFATOzona de aproximação, inclinações, pavimentos e requisitos operacionais acabam confundindo quem não está acostumado com o RBAC 155. 

Por isso, neste blog, vamos explicar de forma simples, prática e clara

  • quais são os tipos de pavimento permitidos, 
  • como dimensionar corretamente seu heliponto, 
  • como escolher a aeronave crítica, 
  • o que significam TLOF e FATO, 
  • quais obstáculos podem reprovar o projeto, 
  • e o que exige operação diurna ou noturna. 

Ao final, você terá uma visão completa do que realmente importa para homologar seu heliponto com segurança e conformidade. 

Vamos começar. 

O RBAC 155: a base de tudo para helipontos 

Diferente das pistas (regidas pelo RBAC 154), o RBAC 155 não utiliza códigos como 1–4 / A–F. 
Ele é totalmente baseado em: 

Tamanho e características da aeronave crítica 

Dimensões obrigatórias da área de pouso 
Zonas de aproximação e obstáculos 
Requisitos de inclinação e segurança 

Ou seja: 

A aeronave crítica define absolutamente tudo no projeto. 

1. O que é TLOF (Touchdown and Lift-Off Area)? 

É a área onde o helicóptero toca o solo e decola

A TLOF precisa ser: 

  • plana, 
  • resistente ao peso da aeronave crítica, 
  • sem irregularidades, 
  • livre de obstáculos, 
  • com pavimento adequado ao tipo de operação. 

Dimensão mínima da TLOF: 

Igual ou maior que o diâmetro do rotor da aeronave crítica. 

Exemplo: 

  • H125/AS350 → TLOF mínima ≈ 10,69 m 
  • R44 → TLOF mínima ≈ 10,06 m 

Se o heliponto for elevado (sobre laje, prédio, estrutura metálica), os requisitos ficam ainda mais rigorosos. 

2. O que é FATO (Final Approach and Take-Off Area)? 

A FATO é uma área maior que circunda a TLOF, onde a aeronave realiza a transição entre voo e pouso. 

A FATO deve: 

  • ter tamanho maior que a TLOF
  • ser nivelada, 
  • estar completamente livre de obstáculos, 
  • ter capacidade estrutural adequada. 

Regra prática: 

A FATO deve ter pelo menos 1,5x o tamanho da aeronave crítica, dependendo do fabricante e do tipo de operação. 

É também a FATO que define: 

  • inclinações permitidas, 
  • área de segurança adicional, 
  • impacto de obstáculos próximos. 

3. Pavimentos permitidos para helipontos 

Sim, helipontos podem ter diferentes tipos de superfície, desde que atendam às exigências do RBAC 155. 

Concreto 

O mais comum. Alta resistência, ideal para prédios e operações corporativas. 

Asfalto 

Possível para helipontos no solo, desde que o pavimento suporte o peso do helicóptero e temperaturas não amoleçam a superfície. 

Estruturas elevadas 

  • Lajes 
  • Plataformas metálicas 
  • Edifícios 

Exigem cálculo estrutural e certificação adicional. 

Grama / Terra 

Permitido apenas em condições específicas. 
A superfície deve ser plana, resistente e sem risco de ingestão de detritos (FOD). 

Usado principalmente em operações rurais. 

4. Obstáculos: o maior motivo de indeferimento 

O RBAC 155 possui regras rígidas sobre obstáculos na: 

  • direção de aproximação, 
  • direção de decolagem, 
  • áreas laterais, 
  • entorno de TLOF e FATO. 

Obstáculos típicos: 

  • árvores 
  • muros 
  • postes 
  • galpões 
  • caixas d’água 
  • corrimões 
  • equipamentos de ar-condicionado 
  • antenas 
  • estruturas de cobertura 

Qualquer obstáculo que invada as superfícies de aproximação pode: 

limitar a operação 
exigir mitigação 
ou reprovar o heliponto 

Por isso, análise e levantamento de obstáculos é essencial desde o início. 

5. Operação noturna: requisitos especiais 

Operar um heliponto à noite exige: 

Iluminação da TLOF 

Iluminação da FATO 

Iluminação de obstáculos 

Sistema de energia confiável 

Auxílios visuais específicos 

Sinalização luminosa adequada 

Além disso: 

Obstáculos que eram aceitáveis de dia podem inviabilizar a operação noturna

6. Como escolher a aeronave crítica? 

A aeronave crítica é a maior aeronave que o operador pretende utilizar no heliponto. 

Exemplos: 

  • R44 → heliponto pequeno 
  • H125/AS350 → heliponto de médio porte 
  • EC135/145 → heliponto maior 
  • Sikorsky S-76 → heliponto robusto 

Ao escolher a aeronave crítica, determinamos: 

  • diâmetro das áreas, 
  • capacidade estrutural, 
  • pavimento adequado, 
  • iluminação, 
  • cargas de pouso, 
  • zonas de aproximação. 

Essa escolha não pode ser feita “depois” ela define todo o projeto. 

7. Por que helipontos são reprovados? 

As causas mais comuns: 

TLOF ou FATO menores que o exigido 

Obstáculos não declarados 

Estruturas muito próximas 

Ausência de cálculo estrutural 

Pavimento inadequado 

Projeto incompatível com aeronave crítica escolhida 

Inclinação fora da norma 

Iluminação incorreta (no caso de operação noturna) 

A boa notícia? 

90% desses problemas podem ser evitados com estudo técnico prévio

Conclusão 

Homologar um heliponto exige muito mais do que definir um círculo pintado no chão. 
O RBAC 155 traz regras claras sobre: 

  • pavimento, 
  • dimensões, 
  • obstáculos, 
  • zonas de aproximação, 
  • operação noturna, 
  • TLOF e FATO, 
  • e aeronave crítica. 

Com análise técnica adequada, planejamento e acompanhamento profissional, a homologação se torna um processo seguro, previsível e plenamente realizável. 

Se você deseja construir ou regularizar um heliponto, nossa equipe técnica está pronta para te orientar em todas as etapas, desde a viabilidade até a publicação oficial.